Dingue Capixaba

FLOTILHA DE DINGUE DO ESPÍRITO SANTO - F.L.O.D.E.S.

Velejar é fácil

Quem está iniciando deve procurar uma escola de vela que aqui em Vitoria-ES existe no Iate Clube (Fábio Falcão - 9933-7987) e no Centro Naútico de Camburi (Edmar Zouain - 9983-3604) para fazer um curso básico de 8 aulas onde aprenderão os rudimentos da vela, como montar um barco, alguns nós de marinharia, noção do vento e o principal velejarão na companhia segura do professor e sentirão se a água salgada entra na veia. Este tipo de curso vai ensinar o básico, mas no inicio a insegurana é normal, pois o vento forte assusta, as capotadas também e é neste momento que os velejadores iniciantes necessitam de apoio para que nao desistam. Lembre-se que o esporte da vela não é perigoso e sim um esporte molhado. 

Nos próximos parágrafos teremos noções e dicas de velejo em vento fraco e forte e também sobre as principais regras de uma regata, caso voce tenha uma dúvida escreva para msacg@terra.com.br .

O Vento e as mareações

Incialmente vamos aprender um pouco sobre o vento que é a energia que move os barcos à vela. No desenho abaixo pode-se observar que não é possivel velejar diretamente na direçao de onde vem o vento,  denominada de zona morta (90º ou 45º para cada lado), a vela fica afilada neste direção e vira uma bandeira e desta forma podemos parar o barco.

A orça ou velejar na direçao do vento é obtida com o afastamento do leme do timoneiro e caçando as velas já para arribar ou ir na direçao para onde o vento sopra necessitamos puxar o leme para o lado do timoneiro e soltar as velas. 

 

 

O vento é inconstante e sempre muda de direçao e força (rajadas) devendo o timoneiro estar sempre observando estas mudanças para regular suas velas (soltando ou caçando) e a direção do barco.

Velas

As força de impulso do veleiro é gerada pelo fluxo de ar que passa pela superfície da vela. Estas podem ser fabricadas, atualmente, de dois tipos de materiais: rígidos e flexíveis com poucas deformações. As velas de materiais rígidos são praticamente iguais às asas de avião e os materiais podem ser desde alumínio em lâminas até materiais compostos como fibras de carbono. As flexíveis são de materiais de alta resistência à deformação na direção das fibras que compõem o tecido como a fibra de poliéster e a fibra aramida.

Na figura abaixo são mostrados os termos das partes da vela.

Navegando o seu veleiro (http://www.ufrjmar.ufrj.br/texto.asp?id=13)

Como o veleiro se comporta de modo diferente em relação a outras embarcações, a forma de navegá-lo também é diferente. Ele funciona com o aproveitamento da energia do vento e, para usá-la da melhor forma, o posicionamento do(s) tripulante(s), o ângulo de leme e a vela devem estar em harmonia, caso contrário, você não vai a lugar algum. No capítulo 5 foi discutido a navegação para diversos aproamentos com o vento e no capítulo 7 foi montado o veleiro. Agora, discutiremos o posicionamento e a regulagembásica do veleiro. Os veleiros usados como exemplos são o Dingue e o Laser, que podem ser montados basicamente da mesma forma.

A bordo do veleiro você tem os seguintes controles com suas funções básicas:

1. leme: governa o veleiro e dá a estabilidade direcional;
2. escota: regula a abertura da retranca;
3. burro: regula a tensão na valuma e exiona o mastro;
4. cabo da esteira: regula a tensão na esteira;
5. cabo da testa: regula a tensão na testa;
6. escoteira: regula a altura do ponto da escota, permitindo que a retranca
se acomode no veleiro sem forçar a torção (twist) na vela, ver figura das ferragens;
7. bolina: responsável pela estabilidade direcional do veleiro. A bolina modifica o centro de pressões hidrodinâmicas do veleiro e a força lateral resistida pela parte submersa, ver figura dos apêndices;

- Contravento

Nessa posição o barco se encontra próximo à linha de vento e por isso a retranca não terá grande ângulo de abertura. No vento fraco cace a escota até o ponto em que a vela se encontre esticada. Se você orçar sutilmente a vela deverá começar a panejar. Caso isso não aconteça, você caçou muito a escota ou arribou demais. Solte um pouco a escota ou, orce com o leme. Se o veleiro possuir birutas na vela, o posicionamento dela pode ser indicado de uma melhor forma. A vela estará bem regulada caso as birutas estejam paralelas horizontalmente. Regule com a escota até que as birutas quem nessa posição. Não esqueça que a bolina deve estar completamente abaixada e a tripulação disposta de forma que o veleiro tenha uma pequena banda para sotavento. Longitudinalmente, a tripulação deve se situar mais ao centro do veleiro.

No vento forte, a regulagem da escota obedece ao mesmo princípio discutido anteriormente. Porém deve ser dada maior atenção ao burro, aos cabos da testa e da esteira. Cace a testa e a esteira da vela sem que deixe dobras horizontais (esteira demasiadamente caçada) ou, verticais (testa demasiadamente caçada) lembre-se que neste aproamento a vela funciona como uma asa de avião e essas dobras prejudicam o uxo de ar, diminuindo sua eficiência. No vento forte, a esteira e a testa devem estar bem tencionadas de forma a diminuir a curvatura na vela.

Você agora regulou a vela com todas as regulagens mencionadas anteriormente, porém a vela com todas as suas talas parece estar torcendo e a parte da valuma no tope está panejando. Não se desespere! – Corra para o burro e cace-o até desaparecer essa irregularidade. O burro irá tencionar a valuma, tornando a vela mais rígida e sem torção (twist), que irá aumentar a eciência da vela e até diminuir a sua força na escora.

O posicionamento no veleiro continua com a tripulação no centro e em barlavento para fora da borda fazendo contra-peso. No vento forte é comum que se cace bastante a escota. Pode acontecer que a escota esteja totalmente caçada, não permitindo mais regulagem. Repare na escoteira (traveller): se ela estiver muito aberta signica que você pode caça-lá e fechar mais o ângulo de retranca, além de etir mais o mastro, reduzindo sua força na escora. Após caçar a escoteira, ajuste a escota para a melhor abertura da retranca.

- Través

No vento fraco, alivie os cabos da esteira, da testa e do burro mantendo a vela esticada e sem dobras. Deixe meia bolina. Inicialmente, deixe a retranca a 90o com a linha de centro do veleiro e cace suavemente a escota até que ela não paneje mais. Durante a navegação regule suavemente escota de forma a deixar a vela sempre inada, sem panejar. O posicionamento da tripulação deve ser no centro (altura do ponto da catraca no Dingue).

No vento forte, a velejada em través passa a ser mais emocionante. Se você zer tudo com precisão, poderá diminuir sua força na escora sensivelmente. Tensione a testa e a esteira com a mesma regulagem comentada para o contra-vento em ventos fortes. Tencione o burro para que a valuma não que panejando. Comece com a vela a 90º da linha de centro do veleiro, panejando. Cace até que ela que esticada e o veleiro ganhe velocidade. A medida em que o veleiro aumenta a velocidade, o vento aparente muda de intensidade e direção (gira para a direção da linha de centro do veleiro) e faz com que a vela paneje. Se panejar, cace a escota seguidamente, enquanto o veleiro aumenta a velocidade. Haverá um ponto em que a velocidade do veleiro se estabiliza momentaneamente e depois começa a diminuir.

Quando há a desaceleração, ocorre conjuntamente, um momento adernante maior. Se isso ocorrer, solte a escota e vá caçando aos poucos até o veleiro acelerar novamente. Esse movimento de acelerar e desacelerar é periódico e você deve estar atento para abrir ou, fechar a vela, de modo que o veleiro permaneça sempre com boa velocidade e sem adernar muito. O posicionamento da tripulação deve ser mais a ré do veleiro para forçar o planeio (a ré do ponto da catraca para o Dingue). Quanto ao planeio, uma observação importante: os veleiros LASER irão planar com mais facilidade e até com ventos mais fracos, diferente do Dingue, que precisará de um vento mais forte.

- Vento de Aleta e Popa

No vento fraco, alivie o burro, cabos da testa e da esteira, observando para que a vela permaneça esticada e sem dobras. Em aleta deixe aproximadamente 1/4 da bolina e em popa suba a bolina inteiramente. Nos dois aproamentos, a retranca se encontra a aproximadamente a 90o com a linha de centro do veleiro. A tripulação deve situar-se na altura da catraca, centro do cockpit (Dingue).

Em vento de aleta forte, cace a testa, a esteira e o burro. Comece com a retranca a 90º do veleiro e feche-a aos poucos, sentindo uma aceleração do veleiro. O barco tenderá a ter uma banda pronunciada se a vela estiver muito fechada por isso, solte novamente a escota e cace-a aos poucos, mantendo uma boa velocidade no veleiro. O posicionamento da tripulação nessa condição de vento é a ré do ponto da catraca para forçar o planeio.

No vento de popa forte, deixe a retranca a 90o com o veleiro, cace moderadamente a testa e a esteira. Dê tensãomoderada no burro. Tome cuidado que o veleiro tende a car instável lateralmente. Para reduzir essa instabilidade, é aconselhável deixar uma pequena parte da bolina. Você verá que cará mais fácil até para manobrar o veleiro com uma pequena parcela da bolina submersa; o ponto em que a bolina para de vibrar causando um ruído forte em todo barco é a posição ideal para deixar a bolina. Este é o ponto em que há uma boa parcela da bolina para dar estabilidade no veleiro.

Para aumentar o rendimento do veleiro em popa forte, varie o leme arribando e orçando em movimentos suaves. Quando orçar, cace a escota até você se encontrar em vento de aleta. No vento de aleta, arribe e solte a escota suavemente até você perceber uma ligeira tendência na vela a mudar de bordo. Ao perceber essa tendência, orce novamente e mantenha esse movimento de zig-zag. O posicionamento da tripulação deve ser a ré do ponto da catraca para forçar seu planeio. Atenção deve ser dada ao posicionamento transversal da tripulação de tal forma que o veleiro tenha melhor estabilidade transversal.

Manobras

-- Cambada

A Cambada ou, simplesmente cambar, é a manobra resultante de orçar até que a proa do veleiro passe pela linha do vento. Esta manobra é a mais segura para a estabilidade do veleiro e a segurança dos tripulantes, no que se refere a principiantes. O primeiro passo a ser dado é vericar se o bordo está livre a barlavento.

Então prepara-se a tripulação e no inicio da manobra o timoneiro fala: Cambando!. A partir deste momento aciona-se o leme para orçar o veleiro até a proa passar a linha do vento, nesse instante deve-se mudar de bordo sempre virando o corpo num giro tal que a vista passe pela proa do veleiro, e sempre lembrar da retranca passando sobre sua cabeça!



-- Jibe ou Cambando em Roda

A manobra resultante de arribar o veleiro até que a popa passe pela linha do vento é chamada de Jibe, ou Cambar em Roda.



Como na cambada, o timoneiro verica primeiro se o bordo está livre a sotavento. Então prepara-se a tripulação e no inicio da manobra o timoneiro fala: Jibe!. Após desse aviso aciona-se o leme para arribar o veleiro, caçando pouco a pouco a vela para evitar uma passagem violenta da retranca, até a popa ter passado a linha do vento, (neste ponto é necessário cuidado redobrado para a passagem rápida da retranca) e muda-se de bordo seguindo a mesma recomendação da cambada onde deve-se girar o corpo sempre olhando para a proa do veleiro .

 

Regulagem do Traveller

Regulagem do Traveller/ Escoteira

 

A regulagem do traveller do Dingue é bem restrita.

Basicamente o traveller dá mais curso a caçada da escota.

Os velejadores de Brasília usavam igual ao traveller do Snipe, mas no Brasileiro de 2003 foi decidido em consenso que não poderia utilizar tal recurso, uma pena.

 

Vento Fraco:

 

Usar solto suficiente para que a retranca fique na posição correta no contra vento sem que tenha flexão em excesso do mastro, causando o “achatamento” da vela.

Os moitões da retranca e do traveller vão ficar unidos.

 

Vento Forte:

 

Usar caçado, mas não igual ao Laser. O desenho da vela do Dingue tem a esteira mais alta, se caçar em excesso pode até quebrar o mastro.

Eu utilizo aproximadamente com uns 12 cms de distância do deck, mas nada medido.

Assim, o mastro fletirá e achatará a vela, diminuindo a potência.

 

No través e no popa não há necessidade de alteração da regulagem.

Não há redução para o traveller e a princípio é proibido alterar a montagem padrão do mesmo.

Quando tiver a necessidade de caçá-lo no contra vento, tem que soltar um pouco a escota.

 

 

Fábio S. Ramos. 

Dicas de Largada

Uma boa LARGADA é meia regata ganha.

Quando garoto, sempre que perguntava aos mais velhos e experientes qual era a melhor tática para se fazer uma boa largada, diziam que era necessário muito treino, tempo e experiência acumulada. Na realidade, pude verificar que largar bem é uma ciência que exige muita concentração, muito conhecimento e muito treino. Tentarei neste artigo, descrever as regras principais, algumas até podem ser consideradas básicas, que ajudam a fazer uma boa largada.

Logo que a raia e a linha de partida são definidas pela CR, a nossa primeira preocupação e verificar qual lugar da linha e mais favorável para largar, ou seja, o ponto mais a barlavento. Normalmente, a maioria dos velejadores utiliza o seguinte método: Usando a bússola, correr a linha em uma direção registrando o rumo, logo a seguir aproar o barco ao vento e registrar outra vez o rumo. Se o angulo for menor que 90º o lado mais favorável da linha era exatamente aquele para onde nos estávamos dirigindo antes de aproar. Se o angulo for major que 90º, será o lado oposto (ver seqüência da fig. 1).


FIG. 1.1
Quanto mais próximo da bóia se largar, major será a vantagem, porem não esqueça que a maioria dos competidores chegou à mesma conclusão que nós e obviamente, existirão mais barcos na bóia.


FIG. 1.2
Com a linha perfeita deve ser escolhido a lugar mais limpo, com menos barcos por perto, até mesmo a sotavento, pois se for necessário arribar um pouco para adquirir velocidade, temos que ter espaço suficiente para fazê-lo.


FIG. 1.3
É mais vantajoso largar junto á CR

Verificar a posição do vento e da bóia. Aproar ao vento, registrar o rumo e simultaneamente verificar a posição da bóia de contravento, se esta à direita ou esquerda. Se o vento estiver a 180º e a bóia a 175º, concluímos que o bordo com vela esquerda nos levará mais próximo da bóia (ver fig.2).

FIG. 2

Antes da largada é muito importante obter esta informação, pois, dependendo do local onde se efetua a regata poderemos planejar com major precisão a tática a utilizar. Normalmente as CRs mais experientes, favorecem a linha de largada na juria esta atitude permite aos juizes fiscalizar a partida mais de perto de modo a identificar possíveis escapadas, ocorrência de colisões e decidir mais rapidamente se devem ou não anular a partida. Quando a linha favorece a largada em uma das extremidades e pressentirmos que vai existir urna grande concentração de barcos em um desses pontos, pessoalmente sou de opinião que devemos nos afastar o suficiente para não corrermos o risco de sermos atropelados ou de ficarmos no vento sujo de alguém que largou escapado, devemos sim procurar um lugar próximo ao ponto mais favorável, limpo, que permita largar sem maiores problemas. Esta opinião não invalida a possibilidade de se largar no ponto mais favorável, partir em primeiro, sempre que sentirmos que existe essa hipótese.

Dicas para uma boa largada

·         Respeitar os seus adversários.

·         Atenção aos sinais sonoros e bandeiras.

·         Largar com andamento pleno.

·         Sempre que tiver duvidas de qual o ponto mais favorável para largar, procure verificar a posição dos velejadores mais experientes.

·         Largar com amuras a boreste.

·         Em largadas com muitos barcos, a linha tem de ser grande e é muito comum acontecer o famoso bolsão; que é um arco que se forma para fora e que ocasiona um atraso de 1 a 2 barcos para quem larga no meio. Por isso deve-se marcar um terceiro ponto em terra, que ficará na mesma direção do prolongamento entre a bóia e a juria.

·         Nos 5 minutos finais não se afastar demasiado da linha de largada.

·         Quando a regra de 1 minuto for utilizada, ter o maior cuidado para não queimar a linha inadvertidamente.

Cronograma da largada

1.     Minutos iniciais:
Verificar a linha de largada. (fig. 1)
Verificar posição do vento em relação à bóia de orça. (fig. 2)

2.     3 minutos antes da largada:
Confirmar o item 1. Se existirem alterações ainda se tem tempo para optar pela CR ou pela bóia.

3.     30 segundos antes da largada:
Já devemos estar bem próximos do lugar onde pretendemos largar.

4.     20 segundos antes da largada:
Procure deixar espaço suficiente a sotavento, 1 a 2 barcos aproximadamente, para largar com velocidade.

5.     15 a 10 segundos antes da largada:
Arribar ou orçar no caso de alguém tentar passar por sotavento ou barlavento.

6.     10 a 1 segundos antes da largada:
Ganhar a velocidade adequada e preparar-se para largar.
Largar sempre confiando no seu cronômetro, sem esperar o sinal sonoro pois o erro de um segundo pode representar um ou mais barcos de atraso.

Para finalizar, não se esqueça de que e primordial muito treino, dedicação e, as vezes, algum sacrifício para se conseguir bons resultados.

Texto escrito por Paulo da Silva Santos para a revista BORDO 11a Edição de 1986. Adptação para o site da AVEB.

Create a free website at Webs.com